sábado, 17 de outubro de 2009

O Adolescente e as relações virtuais

A informática é uma ciência moderna, mas já com um alcance muito grande no mundo inteiro, dominando todos os meios de comunicação. Chegará o dia em que não se poderá mais estudar, trabalhar ou mesmo viver em sociedade sem saber manejar um computador.
Este poder avassalador da máquina adentra agora também um antigo objeto de estudo dos psicólogos: as relações humanas. Porém estas são relações diferentes, onde os encontros, namoros, "papos - cabeça”, brincadeiras acontecem apenas no plano do virtual, graças a uma “caixinha de mágicas”, ou melhor dizendo, a Internet, instrumento que torna possível o sonho adolescente de " viajar" para onde quiser, sem o consentimento dos pais, namorando e fazendo amigos. Através deste instrumento mágico, o adolescente pode até mesmo freqüentar "reuniões" altas horas da noite, desrespeitando as convenções estabelecidas sem o medo de uma punição. E, o melhor, protegido sob outra identidade se assim o desejar!
Nas relações virtuais, os jovens podem ser quem desejam ser, experimentar sensações que no real seriam inimagináveis. Podem tornar-se heróis aventureiros, “malucos-belezas” ou a princesa dos contos de fada. E ao mesmo tempo podem ser quem eles realmente são, assumindo seus gostos e atitudes, sem receio do que os amigos possam vir a pensar. Podem até criar um personagem diferente cada vez que navegam nas “ondas da Internet”.
Os adolescentes encontram-se numa fase de transição, onde deixam de ser crianças, mas ainda não são visto como adultos. Esta situação gera dúvidas e angústias, e o sofrimento decorrente disto é normalmente amenizado com a ajuda de fantasias e divagações. Os sonhos ajudam os adolescentes a superar seus períodos críticos e lhes dão força para batalhar pelo que querem, como uma profissão ou um amor. Porém, conforme ficam mais maduros, os adolescentes começam a perceber a realidade de uma outra maneira e a descobrir que o ideal e o real são duas coisas distintas, que dificilmente coincidem uma com a outra.
Nas relações virtuais esta ilusão pode perdurar infinitamente, pois não existe o real, tudo fica restrito a imaginação de quem utiliza a Internet. As adolescentes podem finalmente encontrar o seu príncipe encantado, lindo, romântico, sensível: um rapaz que esteja sempre cheiroso e bem vestido, do jeitinho com que elas sonham. Os rapazes podem virar o aventureiro, o “Indiana Jones, que não tem medo do perigo” ou o Don Juan, que conquista todas as "gatinhas". Mesmo que na realidade tais situações sejam bem diferentes do que parecem ser, isto não terá importância, o que importa é aquele momento vivido na frente de um computador e as palavras impressas na tela.
Cria-se a partir daí a ilusão de um mundo perfeito, onde só há espaço para a amizade, a lealdade e as coisas boas da vida e tudo de ruim fica de fora. Qualquer palavra áspera pode ser “deletada” com o aperto de uma tecla; mesmo os "romances virtuais" não geram tanto sofrimento quando rompidos, pois não implicam nas responsabilidades de um romance real. Por tudo isso, muitos internautas preferem não conhecer aquela outra pessoa, com quem tantas vezes trocaram confidências e dividiram momentos da mais profunda intimidade. Preferem continuar a encontrar-se apenas via Internet, para não "quebrar" a ilusão. Muitos internautas relatam que após conhecerem pessoalmente as pessoas com quem trocavam mensagens sentiram uma mudança no relacionamento e que prefeririam que a amizade continuasse a ser apenas virtual.
O sexo virtual ou cyber-sexo, como costuma ser chamado, é mais uma possibilidade deste tipo de relação. Não inclui, é claro, o contato físico, porém a relação sexual é descrita por cada um dos parceiros, que tentam excitar-se com a conotação erótica das palavras trocadas. Para os adolescentes é confortante a sensação de poderem experimentar esta "transa" diferente, que lhes proporciona a segurança de não gerar filhos, nem doenças sexualmente transmissíveis ou qualquer um dos fatos que costuma adiar a tão sonhada “primeira vez”.
Nesta etapa da vida é normal que o jovem, descobrindo sua sexualidade, teça fantasias acerca do seu objeto de desejo; portanto estas "transas" não constituem motivo de preocupação, desde que funcionem unicamente como uma espécie de preparação, um "treinamento provisório" para o contato físico, fundamental na vida do ser humano.
Observou-se que, ao serem entrevistados, muitos jovens, principalmente os mais velhos, negam a prática do sexo virtual, classificando-o como " frio”, “sem emoção", “um horror”. Porém em algumas entrevistas realizadas através da própria Internet e registradas em livros e revistas, outros tantos confessam já terem feito cyber sexo e apreciado suas sensações. Pode-se dizer então, que mais uma vez, o computador funciona como um facilitador.
Mais do que sexo, o que os freqüentadores da rede desejam é a amizade de alguém; uma pessoa que os "escute" sem tecer críticas a respeito de seus comportamentos, uma espécie de "psicólogo virtual". Querem ter alguém com quem possam dividir magoas e alegrias, sem precisar ter a preocupação de pedir segredos.
Muitas vezes, os adolescentes desejam conversar com alguém com quem possam esclarecer suas dúvidas e trocar experiências, desejam “ter” e “ser” amigos. Entretanto em um mundo como o nosso, em que o progresso avança cada vez mais rápido, obrigando os homens a correrem contra o tempo para conseguirem acompanhá-lo e assim garantir a sua sobrevivência, os adolescentes sentem a falta de alguém que os ampare. Nas relações virtuais, como tudo é “perfeito” e idealizado sempre haverá esse alguém.
Se o jovem conseguir conviver com essas fantasias, sem perder a objetividade do mundo externo, adquirindo ainda informações e experiências através do virtual, então tudo terá valido a pena. Basta que ele compreenda que a fantasia é apenas um complemento da vida, e não a própria vida.

Por:
Danielle Trilles Monticelli
Elaine Christovam de Azevedo
Gláucia Santos
Katia Regina Sá de Almeida
Lilian Galper