domingo, 30 de maio de 2010

Afinal, o que Assédio Moral no trabalho?

O Assédio Moral está presente no cenário mundial. Afeta os homens e mulheres em cargos executivos e operacionais, iniciativa privada e setor público.

Envolve atitudes e comportamentos visíveis e invisíveis praticados por diretores, gestores ou colegas de trabalho que resultam na destruição do trabalhador na medida em que provocam intenso sofrimento, adoecimento perda do emprego e até mesmo suicídio.

É uma guerra de forças (psicológicas) no ambiente de trabalho que agrega dois fenômenos principais: o abuso de poder e a manipulação perversa.

Nasce como algo inofensivo podendo se propagar assustadoramente.

Sua prática é desumana, fria, isenta de emoções e edificado nas bases capitalistas e individualistas de uma sociedade sem ética e compromisso social.

É a exposição dos trabalhadores (homens e/ou mulheres) a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias em que predominam relações desumanas e totalmente sem ética.

A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto comprometendo sua identidade, dignidade, relações afetivas e sociais. Ocasiona graves danos á saúde física e mental constituindo assim um risco invisível, porém, concreto nas relações de trabalho.

Nem sempre a prática do assédio moral é de fácil comprovação. Na maioria das vezes ocorre de forma velada, dissimulada, visado minar a auto-estima da vítima tornado-a um alvo cada vez mais frágil. Podendo camuflar-se numa “brincadeira” sobre o jeito de ser da vítima ou uma característica pessoal ou familiar, ou, ainda, sob a forma de insinuações humilhantes acerca de situações compreendidas por todos menos por ela.

Cabe ressaltar que o assédio moral caracteriza-se especialmente pela freqüência e intencionalidade da conduta. Não pode ser confundido com desavenças isoladas ou esporádicas.

Um chefe de personalidade exigente e meticulosa que exige a excelência do trabalho ou um determinado comportamento profissional não pode ser visto como agressor. Por vezes esta conduta é exigida e está prevista dentro das competências, habilidades e atitudes para o exercício da liderança.

O modelo de gestão, a missão e a visão da organização, aliados à cultura e clima organizacional imprimem, de certa forma, relações produtoras do sofrimento assim como a permissão ou não do seu enfrentamento.

Constatado o Assédio Moral, é necessário desmistificar o assunto e romper as barreiras do preconceito e do medo. Buscar o apoio junto a familiares e amigos, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para a recuperação da auto-estima, da dignidade, da identidade e da cidadania. Reunir provas para sua comprovação: anotações detalhadas das humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor) e testemunhas (colegas de trabalho). Em posse deste material, a vítima deve recorrer ao Departamento de Recursos Humanos, à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e ao sindicato representante de sua categoria profissional. Não obtendo êxito ou percebendo que não há intenção da empresa para enfrentar e solucionar a questão deve denunciar ao Ministério Público e à Justiça do Trabalho para adoção das providências cabíveis.

Cristiane Pereira Santos Lima,
Psicóloga - CRP05/30088
Pós Graduada em Gestão de Pessoas

domingo, 2 de maio de 2010

É tempo de Valorizar o Trabalhador!

Em tempos de globalização é preciso pensar no que é mais importante numa organização: as pessoas. São elas que constituem o diferencial agregando valores e conhecimentos. É das pessoas que se deve cuidar.

As empresas que conseguirem captar, reter e desenvolver o que os seus funcionários têm de melhor serão as empresas de sucesso. É preciso investir no potencial humano para fazer a diferença. Quando as empresas investem em pessoas, passam a contar com equipes de trabalho mais motivadas, comprometidas e criativas. Atrás de qualquer produto ou serviço, existe uma pessoa. É cruel distinguir entre a importância do “ser profissional” e do “ser humano”.

A realidade de um ambiente onde o estresse, a falta de reconhecimento, a sonegação de informações, ameaças, líderes tirânicos e perversos, estabelecimento de metas impossíveis, clima de terror, perseguições, provocações e boatos pessoais imperam freqüentemente é destruidora.

O Assédio Moral causa danos concretos e gera prejuízos para as organizações tendo em vista que afeta não apenas a capacidade laboral da (s) vítima (s), mas também de seus colegas de trabalho. Funcionários humilhados e desmotivados perdem o prazer pelo trabalho, adoecem fisicamente e psicologicamente. Perde-se a produtividade, a qualidade do serviço, afastamento por licenças médicas, aumento do absenteísmo e desligamentos consistem em frutos da violência moral no ambiente organizacional.

Dar um basta à humilhação no trabalho envolve informação, organização e principalmente mobilização das pessoas. Ninguém deve se submeter ao Assédio Moral. Apesar de árduo, o melhor caminho é a denúncia. O combate eficaz envolve uma equipe multidisciplinar: sindicatos, advogados, médicos, psicólogos, sociólogos e antropólogos.

Estabelecer o pacto da tolerância e do silêncio é ratificar a política da coação moral e assinar a sentença da própria destruição. Manter-se calado é contribuir para um sistema coercitivo e manipulador.

É possível acabar com a política do medo que reina em algumas empresas através da conscientização dos direitos do trabalhador e ações voltadas para qualidade de vida.

O departamento de Gestão de Pessoas deve ter como premissa a conscientização dos funcionários de todos os níveis hierárquicos da empresa sobre a existência do Assédio Moral, sobre os danos à saúde do trabalhador e da organização e formas de prevenção.

Cabe ao profissional de Recursos Humanos, portanto, “cuidar” do bem mais precioso de qualquer empresa: o ser humano.

E a cada um de nós zelar pelo bem-estar lutando sempre, em toda e qualquer situação, por condições dignas de trabalho e de cidadania.

Parabéns à todos pelo dia do trabalhador!

Cristiane Pereira Santos Lima
Psicóloga - CRP05/30088
Graduada pela Universidade Gama Filho
Pós Graduada em Gestão de Pessoas pela Universidade Cândido Mendes